Playoffs da MLS 2025: Lições da Primeira Rodada na Conferência Leste e o Que Vem Por Aí

Playoffs da MLS 2025: Lições da Primeira Rodada na Conferência Leste e o Que Vem Por Aí

Os playoffs da Audi 2025 MLS Cup começaram com tudo, e a primeira rodada da Conferência Leste já nos entregou drama, emoção e algumas surpresas que prometem deixar a disputa ainda mais acirrada. Com o formato de melhor de três jogos, cada partida se transforma em um jogo de xadrez tático, onde ajustes e contra-ajustes podem definir quem avança e quem vai para casa mais cedo.

Vamos dar uma volta completa pela Conferência Leste e analisar o que aprendemos nos primeiros confrontos, quais foram os destaques e, principalmente, o que podemos esperar para os próximos duelos que definirão os rumos desta emocionante fase eliminatória.

Inter Miami 3-1 Nashville SC: O Show de Messi e Companhia

O Domínio Total dos Herons

O Inter Miami não deu chances para o Nashville SC no primeiro jogo da série. Após terem aplicado uma goleada no Nashville no último jogo da temporada regular, os Herons voltaram a dominar, desta vez com um placar de 3 a 1 que poderia ter sido ainda mais elástico. Lionel Messi e seus companheiros ditaram o ritmo desde o início, enquanto o Nashville adotou uma postura ultra-defensiva tentando evitar outra humilhação.

Os números contam a história: o Inter Miami controlou completamente as ações, criou mais chances e mostrou por que é um dos grandes favoritos ao título. O técnico Javier Mascherano merece elogios pela estrutura tática implementada. Embora o Miami seja visto como um time de posse de bola elegante – afinal, com DNA do Barcelona no meio-campo, é impossível não saber trocar passes – a equipe é ainda mais letal quando força erros e sai em transição rápida, exatamente como aconteceu no primeiro gol.

O Que Esperar do Jogo 2

Quando: Sábado, 19h30 (horário de Brasília)
Onde assistir: MLS Season Pass, Apple TV

Do lado do Miami: Não deve haver mudanças significativas. A equipe se estabeleceu em um 4-2-3-1 com Messi atuando como um verdadeiro camisa 10 atrás de Luis Suárez, Tadeo Allende pela direita e um armador secundário pela esquerda. Esse equilíbrio funciona perfeitamente.

Allende, que marcou o segundo gol (que acabou sendo o da vitória), pode frustrar alguns torcedores – ele teve uma das perdas do século nesta partida – mas a forma como ele estica o campo sem a bola é absolutamente necessária para fazer o sistema funcionar, e ele desenvolveu uma sinergia real com Suárez.

Do lado do Nashville: A grande aposta tática do técnico B.J. Callaghan foi tirar Gastón Brugman e colocar Bryan Acosta como volante. Por um lado, a estratégia funcionou parcialmente, já que tomaram apenas três gols em vez dos cinco da última vez. Por outro, o Nashville simplesmente não conseguiu progredir com a bola. Acosta é um destruidor, não um maestro, e com ele puxando as cordas, houve uma desconexão massiva entre meio-campo e ataque.

Alguns outros problemas ficaram evidentes:

  • A dupla de zaga formada por Walker Zimmerman e Jeisson Palacios havia jogado apenas cinco partidas juntos antes do Jogo 1, e essa falta de entrosamento apareceu, especialmente no gol de abertura de Messi
  • Hany Mukhtar estava recuando demais para buscar a bola, o que dificultava a criação de perigo
  • Os laterais ficaram presos pela marcação dos pontas do Miami
  • Jacob Shaffelburg pela direita não pareceu confortável jogando invertido

A expectativa é que Brugman volte ao time titular, possivelmente com Alex Muyl entrando no lugar de Shaffelburg. Também é provável que o Nashville pressione como louco nos primeiros 15-20 minutos, tentando surpreender o adversário.

Foto: ESPN FC

Philadelphia Union 2 (4) – 2 (2) Chicago Fire: O Jogo de Jonathan Bamba

Caos Puro e Pênaltis Decisivos

Este foi, sem dúvida, o jogo de Jonathan Bamba! O ponta do Chicago teve uma atuação perfeitamente “caótica neutra”: fez um drible insano no meio-campo que resultou no 1 a 0 para o Philly, deu uma bola mole que virou o 2 a 0, marcou um gol para trazer o placar para 2 a 1, e depois deu a assistência para o golaço de Jack Elliott que empatou em 2 a 2 nos acréscimos.

Depois, as equipes foram para a disputa de pênaltis e Bamba… de alguma forma não bateu nenhum? Foi uma performance perfeitamente caótica do jogador designado, e o Philadelphia – que pressionou em seu habitual 4-2-2-2, mas não transformou isso em nada verdadeiramente perigoso até os últimos 25 minutos – obviamente prospera no caos. É toda a sua razão de existir.

O técnico do Chicago, Gregg Berhalter, provavelmente também ficou satisfeito com o resultado. Diferente dos dois confrontos da temporada regular entre essas equipes, o Fire não pareceu inferior. E isso mesmo sem Philip Zinckernagel, que foi cortado de última hora por lesão.

O Que Esperar do Jogo 2

Quando: Sábado, 17h30 (horário de Brasília)
Onde assistir: MLS Season Pass, Apple TV

Do lado do Philadelphia: Mais do mesmo – os vencedores do Supporters’ Shield têm um modelo de jogo ao qual são muito comprometidos, e com razão. Sua melhor chance em qualquer partida é ditar o tempo fazendo o jogo sair completamente dos trilhos e garantindo que não haja ritmo algum. Caos neutro, lembra?

Espera-se pelo menos uma mudança: Frankie Westfield traz mais qualidade com a bola do que Nathan Harriel, e haverá momentos em que 1) o Philly precisa realmente trocar alguns passes, e 2) o lateral esquerdo do Fire, Andrew Gutman, avança na sobreposição e é pego fora de posição.

A outra questão de pessoal é no ataque, onde Mikael Uhre (jogando o melhor futebol de sua carreira no Union no último mês) pode entrar no lugar de Tai Baribo ou Bruno Damiani. Ele mudou o jogo quando entrou. A única razão pela qual Uhre não começou no Jogo 1 foi uma lesão muscular. Se estiver bom para jogar uma hora no Jogo 2, espera-se que essa hora seja desde o apito inicial.

Do lado do Chicago: Bem, sem Sergio Oregel, para começar. Ele foi provocado e recebeu um cartão vermelho muito suave e totalmente desnecessário de Kai Wagner, depois que Wagner e Brian Gutiérrez se envolveram em uma pequena confusão imediatamente após o gol de empate de Elliott.

Momento difícil para Oregel, mas o instinto foi bom. Foi Gutiérrez, que entrou apenas aos 73 minutos, quem pegou o jogo pela gola e realmente igualou a intensidade do Philly. Defendê-lo naquele momento foi a decisão certa e enviou a mensagem certa.

A mudança óbvia para o Jogo 2: Gutiérrez tem que começar. Não há como justificar mantê-lo fora de campo. Se for o 3-4-2-1 desde o início, tire Bamba e jogue Guti na esquerda interna; se for o 4-3-3, obviamente jogue-o como um 8 livre.

A outra grande questão de pessoal é, obviamente, Zinckernagel. Maren Haile-Selassie foi muito bom substituindo o dinamarquês, embora obviamente houvesse uma diferença significativa em termos de produto final. Se Zinckernagel estiver pronto, ele obviamente jogará o máximo possível.

Foto: Katie Stratman

FC Cincinnati 1-0 Columbus Crew: Qualidade Decisiva de Denkey

A Fraqueza do Crew Encontra a Força do Cincy

Você poderia argumentar que a fraqueza do Columbus Crew (falta de poder de finalização desde que Wessam Abou Ali se machucou) e a força do FC Cincinnati (qualidade no terço final, desta vez na forma do goleador Kévin Denkey) contaram toda a história. E se você quisesse colocar dessa forma, não haveria muita discussão.

Mas também é importante destacar que a grande fraqueza do Cincy durante todo o ano não foi realmente uma fraqueza neste jogo. Eles defenderam muito bem desde a frente e estavam organizados no meio-campo, o que significou que o Columbus nunca realmente engrenou e começou a controlar o jogo com a bola. Não foi uma performance perfeita dos anfitriões, mas foi sua melhor contra um time realmente bom em muito, muito tempo, e certamente foi sua melhor contra o Crew.

Lembre-se: este time (Cincinnati, quero dizer; não Columbus) terminou o ano com um saldo de gols esperados negativo de -6,9. Eles não venceram jogos controlando-os; venceram jogos tendo mais qualidade nas duas áreas.

Bem, não foi realmente o caso aqui, já que o Cincy dobrou o Crew tanto em finalizações (12-6) quanto em xGD (1,6-0,8). Eles não foram muito melhores que os visitantes, mas foram melhores. E quando chegou o momento de vencer, eles tinham o talento para fazer valer.

O Que Esperar do Jogo 2

Quando: Domingo, 18h30 (horário de Brasília)
Onde assistir: MLS Season Pass, Apple TV

Do lado do Cincinnati: Dado o quão bem os Garys jogaram, é difícil imaginar que o técnico Pat Noonan queira fazer mudanças. Sim, isso significa outro início para Yuya Kubo como lateral esquerdo. E embora isso limite o tipo de serviço que eles podem gerar daquela posição – Kubo constantemente encontrou espaço nas costas, mas por ser muito destro, não conseguiu cruzar de forma útil – não há opção melhor pronta para entrar enquanto Luca Orellano recupera a forma física.

E olha, não há problemas em “tocar de novo” sendo o plano tático do dia. O Cincy passou o ano inteiro sendo esticado, mas isso mal aconteceu neste jogo. Isso mantém o piso de qualquer performance agradável e alto, e então cabe aos decisores elevar o teto.

Parece que um momento de Evander está chegando, para ser completamente honesto.

Do lado do Columbus: Sabemos que Wilfried Nancy tem fé completa em seu modelo de jogo, e ele está certo em tê-la. O Crew não está realmente construído para jogar de outra forma, e mesmo em uma partida como esta, em que foram inferiores, o jogo ainda estava lá para ser conquistado até quase os 80 minutos.

A questão é: como eles conseguem aquela qualidade no terço final de que precisam?

A resposta deveria ser tentar tanto Dániel Gazdag quanto Taha Habroune desde o início. Hugo Picard pode se dar bem eventualmente, mas ele não tem gols ou assistências em mais de 600 minutos em todas as competições este ano. Ele ofereceu pouco no ataque.

Gazdag não tem sido ótimo, mas tem sido melhor que isso. A expectativa é que Nancy faça ajustes para trazer mais criatividade e poder de finalização ao time, especialmente jogando em casa, onde precisam buscar o resultado.

Pablo Borges | PP12SPORTS

Pablo Borges, fotógrafo esportivo e videomaker brasileiro radicado nos Estados Unidos. Se destaca por registrar e divulgar, com olhar apurado, momentos marcantes do esporte — com foco especial no futebol praticado em solo americano.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *